Embaixada de Portugal em França
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Página inicial arrow Embaixada arrow História do edifício 08.02.2012
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HISTORIA DO EDIFÍCIO

Nem sempre é fácil encontrar a residência do Embaixador de Portugal em França, situada na pequena rua de Noisiel no décimo sexto “arrondissement” da capital. Mas quais são as histórias que se escondem por detrás de um edifício ligado ao nome Menier de uma família de chocolateiros? Noisiel é também o nome de uma pequena cidade de 16 000 habitantes, situada a 25 km a Leste de Paris, em “Seine et Marne”, onde se situa o elegante Bairro Menier, no qual está instalada a antiga fábrica de chocolates assim como a residência da família, entretanto comprada pela Nestlé. Além disso, o prédio que abriga hoje o Museu Jacquemart-André – o magnífico Hotel Menier – é da autoria da mesma firma de arquitetos que desenhou a atual Embaixada de Portugal.

Um pouco de história: a empresa Menier compra em 1892 um terreno de 10 615 m2 e decide ali implantar duas novas ruas chamadas Noisiel e Charles Lamoureux. Uma parte do terreno foi comprada pela família Lévy, que encomenda um “hotel” ao arquiteto Louis Parent. A planta do edifício, assinada em 13 de julho de 1906, mostra toda a simplicidade obtida com uma construção em parcela irregular: o rés-do-chão conta com dois grandes salões, que conduzem à elegante sala de jantar que abre sobre um jardim.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o Senhor Raphael-Georges Lévy –  o proprietário do edifício – com a ajuda do cónego Cornette, fundador dos Escuteiros de França, aí instalam um hospital militar.

Salões da Embaixada de Portugal

De 1930 a 1933, doente e na impossibilidade de se mover, o proprietário transforma o rés-do-chão em salão artístico e literário, frequentemente visitado por um grande número de artistas e intelectuais e até mesmo pelo Rei da Bélgica e o Presidente da República Chinesa.

Salões da Embaixada de PortugalSalões da Embaixada de PortugalPortugal compra este prédio no dia 1 de janeiro de 1936, pelo preço de 2 400 000 francos antigos, às herdeiras do Senhor Raphael-Georges Lévy, entretanto falecido, com a intenção de aí instalar não só a residência do Embaixador em França, mas ainda a chancelaria da Missão diplomática. Mas o infortúnio da guerra parecia, infelizmente, perseguir o edifício. Pouco tempo antes da tomada de Paris, durante a Segunda Guerra Mundial, a Embaixada de Portugal é abandonada, e os danos registados no final da guerra, em 1945, são imensos. Recordamos aqui as impressões transmitidas a Lisboa pelo Embaixador da época, Augusto de Castro, no seu relatório do dia 22 de fevereiro de 1945: «Não ocultarei a Vossa Excelência que a impressão que recebi deve aproximar-se muito da que teve o Criador, antes do Génesis. Fui encontrar a imagem renovada do “nada: um casarão imenso transformado numa vasta geleira, como a que deve ter precedido o Mundo (…) com alguns móveis, tiritantes de luxo e de frio. Na chancelaria, o vazio total: nem uma folha de papel, nem um lápis, nem um bocadinho de lacre para selar».

O edifício foi restaurado nos anos 1945/46 pelo arquiteto português Raul Lino, que fez a aquisição de um vasto conjunto de peças decorativas e de móveis portugueses e franceses que, ainda hoje, fazem parte do inventário.


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