
EMBAIXADA DE PORTUGAL
PARIS
Primeiro Fórum dos empresários e gestores portugueses e luso descendentes em França
Paris, 12 de Junho de 2006
Intervenção do Embaixador de Portugal na abertura dos trabalhos
Agradeço a todos os empresários e gestores aqui presentes terem aceite o convite da Embaixada para participarem neste primeiro Fórum de Empresários e Gestores Portugueses e Luso-descendentes em França.
Quero, particularmente, prestar pública homenagem ao MEDEF, e à equipa do MEDEF Internacional, na pessoa da Mme. Laurence Parisot, que colocou à nossa disposição estas magníficas instalações e connosco ajudou a pôr de pé esta iniciativa.
Quero ainda agradecer à Câmara de Comércio e Indústria de Paris, à Associação para o Desenvolvimento das Relações Económicas França/Portugal (futura Câmara de Comércio e Indústria Franco portuguesa), bem assim como a todos os oradores e moderadores que ao longo desta tarde intervirão nos debates.
Este Primeiro Fórum tem como objectivo principal estabelecer uma rede de contactos que possa, em primeiro lugar, servir os próprios empresários e também funcionar como factor de dinamização das economias portuguesa e francesa. O facto de o organizarmos hoje e aqui reveste-se de particular significado.
Este Fórum é também, antes de mais, um acto de reconhecimento e homenagem ao trabalho de todos os nossos compatriotas que, tendo vindo para França em condições particularmente difíceis, demonstraram, na prática, a capacidade de trabalho e de realização dos portugueses. O seu esforço abriu caminho às melhores condições de que hoje gozam as novas gerações e contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da França e a projecção de Portugal.
Como todos sabem, a Comunidade Portuguesa em França é a mais numerosa das comunidades estrangeiras neste País e o seu dinamismo e capacidade de integração constituem referências de que todos nos orgulhamos. Queremos agora lançar as bases de um movimento que a todos nos ajude a descobrir e a melhor tirar proveito da importante dimensão económica e empresarial da nossa Comunidade, contribuindo, por essa via, para melhorar as condições de resposta das nossas economias face aos desafios do mundo actual.
A presença de empresas portuguesas em França não se limita à prestação de serviços à comunidade. Longe vão os tempos do “Mercado da Saudade”. Temos hoje exemplos de sucesso de empresas portuguesas instaladas em França que para aqui vieram à conquista de mercado. São já mais de 50, com volumes de negócios apreciáveis, cobrindo áreas que vão das embalagens de plástico ao papel de escritório, dos aglomerados de madeira às peças para automóveis e às engenharias de telecomunicações, entre muitas outras.
Este reforço progressivo dos laços económicos entre os dois países proporcionou uma alteração qualitativa e quantitativa das relações bilaterais. A França é hoje o segundo cliente de Portugal, tendo ultrapassado a Alemanha há dois anos, e representa já cerca de 17% das nossas exportações, mantendo-se como o nosso quinto mercado turístico e nos primeiros lugares como origem de Investimento Directo Estrangeiro, tendo conseguido o segundo lugar em 2005.
Portugal, por seu lado, é o décimo segundo cliente da França, e, devemos assinalar, o défice da balança comercial tem vindo a diminuir progressivamente.
Gostaria aqui de sublinhar – até porque é um elemento que escapa à percepção pública geral – a profusão de empresas pertencentes a portugueses e a empresários de origem portuguesa. Identificámos mais de 44.000 em toda a França, dedicando-se a cerca de 250 diferentes tipos de actividade. Cremos que haverá muitas mais. Predominam as actividades ligadas à construção civil, mas já há inúmeras outras em sectores de maior integração de valor acrescentado e mais elevado grau tecnológico.
A maior parte destas empresas são, naturalmente, de pequena e média dimensão. Assinalo, porém, o valor que elas representam em termos de perspectivas de crescimento e potencial de criação de emprego, e faço-o ainda com maior gosto porque estamos na véspera de se realizar, em Paris, o encontro anual das Pequenas e Médias Empresas, Planète PME organizado pela Confederação Geral do Patronato das PME’s, com um forte apoio do Governo francês.
Apraz-me também constatar a existência de numerosas empresas de dimensão considerável no universo franco-português, o que demonstra o dinamismo e a vitalidade desta rede empresarial.
Tudo isto nos leva a procurar conhecer com maior detalhe esta realidade, aprofundando-a e não perdendo de vista o facto de existir neste País um número considerável de gestores e de quadros superiores de origem portuguesa trabalhando em empresas portuguesas, francesas e multinacionais a actuar em França. É todo este tecido que agora queremos pôr em rede.
O nosso objectivo é conhecê-lo em toda a sua extensão, identificando tanto quanto possível os seus agentes, e criando sinergias em benefício de Portugal e da França, e das relações económicas entre os dois países. É exactamente para desencadear o processo de cumprimento destes objectivos que organizamos hoje este fórum.
Trata-se, por outras palavras, de lançar a “primeira pedra” dum “edifício” que se construirá a médio/longo prazo, para o qual cremos que a futura Câmara de Comércio e Indústria Franco Portuguesa poderá dar um contributo decisivo e para o qual contamos continuar a trabalhar com os nossos parceiros franceses (MEDEF e CCIFP).
A presença da Câmara de Comércio francesa estabelecida em Lisboa e da própria Embaixada de França, aqui representada pelo meu colega Patrick Gautrat, mostram bem que hoje em dia, no espaço europeu, as Embaixadas e instituições bilaterais dos países membros devem trabalhar em complementaridade, por forma a garantir, para além do bom estado das suas relações mútuas, a realização dos interesses comuns europeus.
Neste contexto, quisemos ainda debater neste fórum uma questão da actualidade, e muito cara aos dois países: a questão da competitividade da Europa face aos desafios da globalização. Acreditamos que a resposta está na Estratégia de Lisboa, na Inovação e, em particular, na Inovação Industrial. A França tem produzido contributos e pistas interessantes para a análise destes temas, e definiu uma estratégia de modernização que Portugal segue com atenção e interesse. O encontro entre os dois Primeiros-Ministros dos nossos países, há cerca de dois meses em Paris, permitiu encontrar convergências nesta área e abriu vias de cooperação que importa agora desenvolver e traduzir em acções concretas.
Quero por isso salientar a acção levada a cabo pelo Senhor Ministro da Economia e Inovação de Portugal, Dr. Manuel Pinho, que conduziu esse processo, que conduziu uma parte importante deste processo e que aqui hoje nos honra com a sua presença.
É pois com uma enorme honra que declaro aberto o Primeiro Fórum dos Empresários e Gestores Portugueses e Luso Descendentes de França.
Muito Obrigado.